Ser Geógrafo: Um Compromisso | Adriano Nave

Ser Geógrafo: Um Compromisso | Adriano Nave (Unidade de Ambiente e Proteção Civil da Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões)

Na última aula de 2001, o Professor Fernando Rebelo despediu-se da turma com uma frase que nunca mais me abandonou: “A partir de agora, vocês estão licenciados para aprender. É esse o significado de ser licenciado.”
Ora, o percurso profissional que iniciei em 2002 não podia ter sido mais revelador da força daquela afirmação. A transversalidade científica da Geografia e a densidade do pensamento geográfico obrigam-nos a uma aprendizagem permanente. Só assim conseguimos estar preparados para integrar projetos multidisciplinares que partilham objetos e objetivos comuns, mas recorrem a metodologias distintas.
Os anos que trabalhei na administração local, no município de Mangualde, trouxeram-me o território concreto, as pessoas, os constrangimentos reais e a responsabilidade de transformar análise espacial em apoio à decisão.
Hoje, na Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões, trabalho numa escala supramunicipal, onde a visão estratégica, a articulação entre municípios e a coerência territorial são desafios permanentes. Trabalhar a região é ainda mais exigente.
A prevenção estrutural de incêndios rurais e os sistemas de informação geográfica, sempre foram para mim, as áreas de maior interesse. Mais recentemente, a credenciação em fogo prescrito para gestão de paisagem e a utilização de ferramentas de análise e simulação do comportamento do fogo possibilitaram uni-las na perfeição.
Em suma, o maior valor do geógrafo reside na sua capacidade de traduzir complexidade em soluções, apoiar decisões, qualificar políticas e servir os cidadãos. E essa responsabilidade faz-me regressar frequentemente àquela última aula.