#119 Jorge Brito
Nome: Jorge Brito
Naturalidade: Seia
Idade: 46 Anos
Formação académica: Geógrafo- Especialista em estudos Ambientais, Mestre em Geociências, Auditor em Geopolítica e Geostratégia, Doutorando em Território, Risco e Políticas Públicas
Ocupação Profissional: Secretário Executivo da Região Metropolitana de Coimbra – Comunidade Intermunicipal
Outros:
1 – Quem é a/o Geógrafo/a? Em que áreas trabalha e de que forma a Geografia faz parte da sua vida?
O geógrafo é, acima de tudo, um intérprete do território e das suas dinâmicas.
No meu caso, a gestão e planeamento do território, nas suas diversas camadas e escalas, está presente diariamente quer seja na procura de uma melhor coesão territorial entre municípios, na articulação e definição de políticas públicas entre vários agentes e na procura de soluções que promovam a sustentabilidade e equidade territorial.
2 – Quais são os projetos para o futuro imediato? E de que forma valorizam a Geografia?
O grande desafio passa, sem duvida, pela afirmação da Região Metropolitana de Coimbra. Projetos ligados à mobilidade sustentável, à gestão integrada do território e à inovação territorial são prioritários.
È fundamental um cada vez maior alinhamento com a política de coesão da União Europeia, nomeadamente a transição climática, a coesão territorial, a inovação e a inclusão. Na Região de Coimbra, isso terá de se traduzir em iniciativas concretas e num cada vez maior aproveitamento dos fundos comunitários.
3 – Se tivesse de definir Geografia em 3 palavras, quais escolhia?
Território. Gestão. Planeamento.
4 – Comentário a um livro que o marcou ou cuja leitura recomende.
Recomendaria “A Geografia do Poder” de Tim Marshall, uma obra fundamental e esclarecedora sobre a forma como a geografia física continua a influenciar decisivamente a política internacional. O autor demonstra como fatores como montanhas, rios, acesso ao mar ou recursos naturais condicionam estratégias, conflitos e decisões dos Estados.
É um livro particularmente relevante para quem quer compreender o mundo contemporâneo, pois evidencia que, apesar da globalização, o território continua a ser um elemento estruturante do poder e das relações internacionais.
5 – Que significado e que relevância tem, no que fez e no que faz, assim como no dia-a-dia, ser geógrafo?
Ser geógrafo é ter uma visão integrada e crítica do território. No meu percurso, essa formação permitiu-me cruzar diferentes áreas do saber, diferentes escalas – do local ao regional, do nacional ao europeu – e compreender que as decisões têm sempre impactos espaciais. No dia-a-dia, traduz-se na capacidade de antecipar problemas, identificar oportunidades e promover soluções equilibradas.
6 – Na interação que estabelece com parceiros no exercício da sua atividade, é reconhecida a sua formação em Geografia? De que forma e como se expressa esse reconhecimento?
O reconhecimento existe, mas confesso que poderia ser maior. Há um trabalho muito grande a fazer na modernização e valorização do ensino da geografia e na sua adaptação aos desafios presentes e futuros. È essêncial reforçar a capacidade de integrar diferentes dimensões – económica, social, ambiental e territorial – e de intensificar a relação da academia com as empresas e administração.
7 – O que diria a um jovem à entrada da universidade a propósito da formação universitária em Geografia? E a um geógrafo sobre perspetivas e responsabilidades?
A um jovem diria que a Geografia é uma área com enorme relevância no futuro, sobretudo face aos desafios climáticos, urbanos e sociais. É uma formação versátil, que abre portas em múltiplos setores.
Diria que tem uma responsabilidade acrescida: contribuir para decisões mais sustentáveis e justas e recomendaria um desassossego permanente no seio da academia.
8 – Comente um acontecimento recente, ou um tema atual, na perspetiva de geógrafo.
O atual conflito no Irão, no atual contexto internacional, evidencia de forma clara a importância da Geografia na análise geopolítica. A localização estratégica do Irão, a sua influência no Médio Oriente e o controlo de corredores energéticos fundamentais, como o Estreito de Ormuz, conferem-lhe um papel central nas dinâmicas globais.
Do ponto de vista geográfico, este conflito não pode ser entendido apenas numa lógica política ou militar: envolve recursos, posicionamento territorial, redes de influência e equilíbrio de poderes regionais e globais. O seu impacto geopolítico é significativo, desde a segurança energética mundial até à estabilidade de regiões vizinhas, demonstrando como o território continua a ser um fator determinante nas relações internacionais contemporâneas.
9 – Que lugar recomenda para saída de campo em Portugal? Porquê?
Toda a Região de Coimbra, é um excelente laboratório territorial. Não só pelas imensas transformações a acontecer ao nível de reabilitação, regeneração urbana e mobilidade, mas também pela imensa exposição a vários processos naturais que se fazem sentir neste verdadeiro “living lab”.


