Geografia: ciência cidadã | Emanuel Sardo Fidalgo

Geógrafos no terreno

Geografia: ciência cidadã | Emanuel Sardo Fidalgo (professor no Agrupamento de Escolas de Vale de Ovil - Baião e Oficial Bombeiro Superior no Corpo de Bombeiros Voluntários de Baião)

Na era da especialização do conhecimento, cabe ao Geógrafo realizar a síntese e integrar nas suas respostas aos problemas transversais e de complexidade variável dos territórios, a acomodação de dados e informação de proveniência multissetorial. Desde a minha graduação em Geografia, procuro que as ações no trabalho que desenvolvo se reflitam na comunidade, numa dimensão escalar diversa.

Desde logo, a minha experiência profissional enquanto professor alargou-se a outras atividades em diferentes contextos, nos quais, as competências geográficas fundamentam as decisões, contribuindo deste modo para resultados mais robustos e assertivos.

O geógrafo é um obturador do espaço, que imortaliza, no presente, um instante do território e pretende nas suas ações, que estas perdurem no tempo. Nesta procura de uma Geografia ao serviço do território e das pessoas, entendo as ciências geográficas como ferramenta de eleição para uma boa governança.

Se a Geografia é transversal, a minha ação enquanto geógrafo tem sido multissetorial, o que não deixa também de ser, característica intrínseca das ciências geográficas. Enquanto oficial do exército, oficial bombeiro superior com experiência alargada de mais de 30 anos, dos quais 15 em funções de comando, investigador em geografia cindínica – galardoado com o Prémio Ciência 2018, dirigente escȢtista, técnico de fogo técnico ou ativista ambiental, desempenhei e desempenho funções através das quais intervim/intervenho diretamente enquanto cidadão ativo, ou no apoio à tomada de decisão.

Neste contexto, com o intuito de atualização constante de conhecimentos, suporto a minha atividade geográfica com formação avançada na qual integro as geotecnologias e outras competências em diferentes domínios científicos. Por inerência, exige-se também do geógrafo elevada capacidade de comunicação, para que as respostas sejam alicerçadas numa relação tanto quanto possível biunívoca entre o geógrafo e as comunidades. Procuro construir uma geografia de pessoas, para as pessoas.