Dia Mundial das Montanhas - As montanhas: espaços de desafio e resiliência | Gonçalo J. Poeta Fernandes

Dia Mundial das Montanhas - 11 de dezembro 

As montanhas: espaços de desafio e resiliência| Gonçalo J. Poeta Fernandes (Instituto Politécnico da Guarda)

As montanhas encerram um conjunto geossistémico complexo, na sua interação ambiental e socioeconómica, que historicamente se tem consubstanciado como espaço de desafio, conflito e resiliência. Para a U.E. os territórios de montanha constituem trunfos, pelos recursos e serviços ecossistémicos fundamentais que albergam, exigindo estratégias de gestão capazes de enfrentar os desafios em termos das suas condições naturais e das dinâmicas sociais e económicas de perda e fragilização que as afetam.

As debilidades e a desestruturação das suas comunidades e modos de vida, têm promovido dinâmicas de perda e de aprofundamento de desigualdade territorial. No entanto, são símbolos de resiliência e adaptação, refletindo o espírito combativo das comunidades que as habitam. Na atualidade, assiste-se à promoção de extensos espaços como parques ou reservas naturais, que mantêm pela natureza e ruralidade a sua identidade. As imposições físicas, o diferenciado acesso a serviços a par da limitada oferta de emprego, agravam a sensação de afastamento, de desconexão e fomentam a desorganização da estrutura socioeconómica tradicional. Esta desarticulação promoveu o recuo das atividades produtivas tradicionais, a degradação de imóveis e das escassas infraestruturas e ainda o avanço desordenado de matos e floresta. As políticas de ocupação, nomeadamente de florestação e criação de parques, puseram em causa o modelo económico tradicional, impondo novos formatos de gestão.

Na atualidade, a valorização da natureza e do legado cultural das montanhas, a par das atividades de lazer e turismo, aportam oportunidades e novos desafios para a sua gestão, exigindo políticas e ações que permitam a preservação dos seus valores ecoculturais. Em Portugal têm-se negligenciado estes territórios, pelo não reconhecimento da sua especificidade territorial nos instrumentos e politicas de ordenamento. Assim, requerem-se ações para a sua valorização, considerando que a sua expressão geográfica implica formas de articulação cuja divisão administrativa não pode condicionar.

Comemoremos as montanhas, os seus valores naturais e culturais, a sua especificidade territorial e a sua importância para a humanidade!