#118 Ricardo Miguel

Nome: Ricardo Miguel 
Naturalidade: Cadaval 
Idade: 45
Formação académica: Licenciatura em Ensino da Geografia pela Faculdade de Letras
Ocupação Profissional: Assessor Municipal 

1- Quem é a/o Geógrafo/a? Em que áreas trabalha e de que forma a Geografia faz parte da sua vida?
A Geografia entra na minha vida pelo gosto de ensinar. Querendo ser professor desde pequeno, encontrei nos meus professores de Geografia a inspiração para isso mesmo, a que fui acrescendo um gosto pelo conhecimento do território, as suas mudanças e interações. Este Geografo, Ricardo Miguel, tem usado o seu saber no Poder Local, tendo disso autarca em vários mandatos, com especial atenção a questões do Planeamento, Território e Ordenamento.

2- Quais são os projetos para o futuro imediato? E de que forma valorizam a Geografia?
Atualmente, estou afastado do ensino e desempenho tarefas autárquicas numa Câmara Municipal, em áreas que coincidem com a minha formação, mas não só. Além de acompanhamento de temas gerais como PDM, estradas, planos de pormenor, ambiente, há áreas como Hortas Sociais que são um exemplo de aproveitamento do espaço e de apoio social. 

3- Se tivesse de definir Geografia em 3 palavras, quais escolhia?
Três palavras: viagem, campo e futuro. 

4 - Comentário a um livro que o marcou ou cuja leitura recomende.
Pela atualidade de José Saramago, Prémio Nobel da Literatura, escolho A Viagem do Elefante, aquele que acabou por ser um dos últimos livros de José Saramago, que retrata o percurso  de um elefante da corte portuguesa até a Áustria no século XVI e que termina com uma mensagem que partilho:  "Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam."

5 - Na interação que estabelece com parceiros no exercício da sua atividade, é reconhecida a sua formação em Geografia? De que forma e como se expressa esse reconhecimento?
Sim, penso que é reconhecido sobretudo pelo carácter interdisciplinar que a Geografia abarca, desde a Geografia humana geografia Física e aos SIG´s. 

6 - O que diria a um jovem à entrada da universidade a propósito da formação universitária em Geografia, sobre as perspetivas para um geógrafo na sociedade do futuro? E a um geógrafo a propósito das perspetivas, responsabilidades e oportunidades?
Tive a felicidade de ter vários alunos que foram para universidade para a formação universitária em Geografia, tendo tido o meu incentivo e apoio pois sempre considerei que há oportunidades e mercado mais do que suficiente para a nossa área de formação. Quanto ao futuro, será necessário comprometer os geógrafos e a Geografia com o Planeamento do nosso país 8 onde ainda estamos muito longe do envolvimento e poder de decisão necessário) e a oportunidade de afirmar o nosso trabalho como um trabalho de charneira entre várias ciências sendo das mais completas e inclusivas. 

7 - Comente um acontecimento recente, ou um tema atual (nacional ou internacional), tendo em conta em particular a sua perspetiva e análise como geógrafo.
Quase todos os conflitos atuais tem a Geografia como um dos pontos de discórdia e nesse sentido vou-me deter sobre o conflito Rússia-Ucrânia. Olhando para a História recente, carece de referir que até 1991 a Ucrânia era uma das 15 repúblicas que formavam a União Soviética (URSS). Com o fim da URSS, verifica-se a criação de três novos países na área caucasiana: Geórgia, Azerbaijão e Arménia com um forte incremento migratório que se traduziu numa mistura étnica e religiosa. Na própria Ucrânia gerou-se uma divisão dentro do próprio país, pois a região oeste do país busca aproximação com a União Europeia, enquanto que a região leste se identifica com a Rússia, não só pela proximidade, mas também pelo histórico que possui.
Tal contexto leva a que a questão nacionalista não esteja resolvida e que a ausência de fronteiras naturais leva a que as fronteiras sejam apenas políticas, logo mais vulneráveis.
A relevância deste país, na boca do mundo nos tempos mais recentes pelo conflito bélico em curso, resulta de a Ucrânia ser o maior país com território exclusivamente europeu, beneficiando daquilo a que podemos chamar uma posição de charneira entre a Europa e a Ásia. 
A localização relativa da Ucrânia permite-lhe ter acesso ao Mar Negro, um mar interior e uma linha de costa onde se inclui também o mar de Azov. No vasto território ucraniano merece referência a Crimeira, com cerca de 26000 kms2, anexada pela Rússia em março de 2014. Acresce que a Ucrânia tem sido o principal país de passagem das exportações de gás russo para a Europa, dado que, aproximadamente, 85% do fornecimento de gás russo com destino à Europa atravessa o território ucraniano, antes do gasoduto da Rússia Nord Stream se tornar operacional, em 2012.
A Ucrânia também desempenha um papel importante no transporte de exportações de petróleo da Rússia para os mercados europeus, tanto através do ramo sul do oleoduto Druzhba, como através de seus portos do Mar Negro.
Tudo isto mostra que o mapa político europeu reconfigurado, após o fim da URSS, faz emergir conflitos nacionalistas, com disputas pela supremacia internacional. Ultimamente, duas realidades geopolíticas competem pela reconfiguração do espaço europeu: a União Europeia/NATO e a Rússia. 

8 - Que lugar recomenda para saída de campo em Portugal? Porquê?
Sendo redutor indicar apenas um lugar, terei se sugerir a Serra de Montejunto, por proximidade geográfica e pro razões afetivas.  Erguendo-se entre o litoral e o vale do Tejo, a Serra de Montejunto é uma paisagem marcada pelos moinhos, produção agrícola e por uma vista fantástica entre Nazaré e o Tejo. Fica o convite a visitar a Real Fábrica do Gelo e passear pelos trilhos existentes para apreciação de fauna e flora.