Filipe Lima

Filipe Lima

Natural de Ponte de Lima, nasceu em 1983.

Licenciado em Ensino da Geografia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, doutorando na mesma Universidade, sendo Professor de Geografia em escolas públicas e formador em entidades privadas no âmbito do projecto de educação e formação de adultos. A sua atividade profissional compreende também um notável desempenho autárquico. Faz parte de órgãos autárquicos desde 2005 e é Presidente da Junta de Freguesia da Seara, no concelho de Ponte de Lima, desde 2013.

1 - Comente um livro que o marcou ou cuja leitura recomende.

Sempre me fascinou a geografia, a política e a história e por esta conjugação de ciências sempre fui vagueando as minhas leituras por temáticas dispersas mas que no fundo se convergem em domínios que relacionam o olhar do presente de um geográfo, com a tomada de decisões de um eleito local, sentindo e compreendendo um passado que influencia toda a realidade.

Mas, objetivamente, no meio académico, o livro do Professor Orlando Ribeiro “Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico”, foi o início da caminhada na geografia na faculdade, pois explora e reflecte de forma simples, concreta e atual várias abordagens da geografia. É um livro de leitura recomendável para todos.

2 - Que significado e que relevância tem, no que fez e no que faz, assim como no dia a dia, ser geógrafo?

A geografia moldou e continua a moldar a minha forma de compreender e de trabalhar com a paisagem, quer no espaço de sala de aula como professor ou como autarca, a sensibilidade para as questões de compreensão, interpretação e de transformação da realidade faz com que me identifique como geógrafo.

3 - Na interação que estabelece com parceiros no exercício da sua atividade, é reconhecido a sua formação em Geografia? De que forma e como se expressa esse reconhecimento? 

Como referido anteriormente, quer na minha acção como professor e também como autarca local, é reconhecida a minha formação de base pois a dimensão do geógrafo está presente logo à primeira vista como professor de geografia mas também como autarca.

Mais concretamente em reuniões de trabalho mantidas com várias entidades, no meu caso, Câmara Municipal, empresas públicas e privadas, Agência Portuguesa do Ambiente, ICNF, Ministério da Agricultura, Ministério da Educação etc, o crescimento como geógrafo traz-nos uma bagagem que em várias reuniões passamos de um papel passivo para assumirmos um papel ativo na tomada de decisões, pois envolvem o planeamento territorial, os SIG, a toponímia, a carta educativa, os transportes, problemas sociais, os problemas de extensão da rede de águas e saneamento, questões sobre as problemáticas de incêndios florestais e/ou de inundações/cheias.

Nestes exemplos o nosso papel é muito importante e valorizado.

4 - O que diria a um jovem à entrada de Universidade a propósito da formação universitária em Geografia, sobre as suas perspectivas na sociedade do futuro? E a um geógrafo a propósito das perspectivas, responsabilidades e oportunidades?

Num primeiro momento, diria a um jovem que pretende ser geógrafo, que no futuro, para além da sua responsabilidade profissional este também assume uma responsabilidade social pois não será um Homem de gabinete ou de sala de aula, será um profissional que irá trabalhar em diferentes escalas de análise e que trabalhará sempre com a comunidade. Para além disso, reforçava a importância de complementar o estudo em geografia com outras perspectivas, histórica, política tendo por base diferentes conhecimentos de diferentes áreas do saber, permitindo um interligação e compreensão de conhecimentos que serão assim diferenciadores e uma mais-valia no seu dia a dia que se irão traduzir, tenho a certeza, de mais oportunidades.

5 - Queríamos pedir-lhe a escolha de um acontecimento recente, ou um tema atual, podendo ambos ser do âmbito nacional ou internacional. Apresente-nos esse acontecimento ou tema, explique as razões da sua escolha e comente-o, tendo em conta a sua perspetiva e análise como geógrafo.

Em Portugal, no ano de 2017, tivemos vários acontecimentos negativos que marcaram a agenda. Mais uma vez, a falta planeamento, de trabalho em rede, o descartar de obrigações fazem com que os acontecimentos continuem a ocorrer sem que ninguém seja responsabilizado pela sua acção diária.

Mas, tendo em conta o meu trabalho de investigação sobre o estudo da fronteira, escolho como acontecimento do ano, a Catalunha, a independência da região.

Todo este processo não é só um desafio a Madrid, mas sim um desafio para todos os catalães, para todos os espanhóis e para todos os europeus. Estamos a caminhar para voltar a lutar/redesenhar os limites fronteiriços, e quase todos trazem conflitos.

Assim, o futuro tem de ser de convergência e não de desunião, pois o efeito “catalunha” pode trazer outros ventos indefinidos de outros territórios da União Europeia.

6 - Que lugar recomendaria para saída de campo em Portugal? Porquê?

Recomendo a saída de campo iniciando-se pela minha terra natal, Ponte de Lima e posteriormente estender para todo o Alto Minho, pois a observação individual ou em grupo dá-nos várias interpretações destas realidades.

Assim, defino como prioridade de análise a convivência entre o rural/urbano em todo o espaço, a questão da fronteira desde Cerveira, Valença, Monção e Melgaço, as questões do litoral/mar (desde a pescas, passando pelas atividades náuticas e pelo Porto de Mar) em Viana do Castelo entre outros, estando sempre presente a geologia, o turismo, o clima, os solos, os centros históricos, os rios, a montanha… permitindo um multifacetado relatório de campo único e intransmissível.